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Journaling Feelings by Mitti

18/03/2026

Nem toda mãe é abrigo...


Algumas são tempestade.

Eu cresci aprendendo a me proteger de quem deveria me proteger.
Enquanto outras crianças encontravam colo, eu encontrava medo.
O álcool transformava aquela mulher em alguém irreconhecível, mas, com o tempo, eu entendi que nem sóbria ela sabia ser diferente. A mentira, a manipulação e a dureza já estavam ali, enraizadas.

Quem me criou foram meus avós.
E, mesmo com pouco, nunca me faltou o essencial: cuidado, dignidade, presença.
Mas a ausência de uma mãe de verdade… essa sempre fez barulho dentro de mim.

Conforme fui crescendo, a distância entre nós não trouxe paz — trouxe conflito.
Eu não reconhecia aquela vida que ela levava, nem as pessoas que a cercavam.
E, de alguma forma, eu paguei o preço por não ser como ela.

Minha adolescência foi silenciosa.
Sem liberdade, sem amizades, sem descobertas.
Enquanto o mundo lá fora acontecia, eu aprendia a me calar dentro de casa.
Fui diminuída tantas vezes que quase acreditei que não era nada.
Ouvi que eu não deveria ter nascido — e sobrevivi mesmo assim.

Aos 25 anos, me tornei mãe.
E ali, pela primeira vez, eu senti um amor que não machuca.
Mas também foi ali que a minha vulnerabilidade virou oportunidade… para ela.

Quando eu mais precisei de apoio, ela assumiu o controle.
Não da minha vida por cuidado — mas por domínio.
Durante anos, eu trabalhei, entreguei tudo o que eu tinha, e ainda assim fui tratada como alguém sem valor.
Meu filho adoecia sob os cuidados dela, e eu carregava a culpa que não era minha.
Fui perdendo emprego, estabilidade, e quase perdi a mim mesma.

Nada do que eu fazia era suficiente.
Se eu tentava me cuidar, era criticada.
Se eu demonstrava felicidade, era interrompida.
Se eu tentava existir… era reprimida.

Hoje eu entendo:
não era sobre mim.
Nunca foi.

Era sobre o fato de que algumas pessoas não suportam ver o outro florescer — especialmente quando elas nunca aprenderam a crescer.

Eu não tive a mãe que precisei.
Mas eu estou me tornando a mãe que meu filho merece.

E, aos poucos, também estou me tornando a mulher que eu nunca pude ser.

Ainda estou aqui.
Mesmo depois de tudo.

E talvez, pela primeira vez, eu esteja começando a escolher a paz.

18/01/2026

Feliz Ano Novo, meus queridos leitores ✨



Antes de qualquer coisa, quero começar desejando que este novo ano seja gentil com cada um de vocês. Que traga dias mais leves, encontros sinceros e pequenas alegrias que aquecem o coração.

2025 foi um ano intenso para mim. Um daqueles anos que nos atravessam, mudam o ritmo das coisas e nos obrigam a olhar com mais cuidado para dentro. Nem sempre foi fácil, mas foi um ano de aprendizado, de pausas necessárias e de muita reflexão.

Agora, escolho viver diferente. Estou vivendo um dia de cada vez, sem pressa, sem tantas cobranças. Tenho me permitido voltar aos meus hobbies, criar por prazer, escrever sem obrigação e encontrar beleza nas coisas simples. Também tenho conversado mais, me aproximado de quem me faz bem e reaprendido algo que, em algum momento, eu havia esquecido: como é bom ter pessoas boas por perto.

Mesmo que a distância exista, mesmo que cada uma esteja em um lugar diferente, o afeto encontra caminhos. As conversas, as risadas, o apoio silencioso… tudo isso faz diferença. Ter amigas, trocar palavras sinceras e sentir essa conexão tem sido uma parte muito importante desse novo capítulo.

Para 2026, não desejo muitas coisas. Não quero criar grandes expectativas, nem listas de metas. Quero apenas continuar vivendo com presença e verdade. A única coisa que pretendo fazer, e que faz muito sentido para mim... é trazer mais do que faço com journaling aqui no blog.

Acho que pode ser bonito compartilhar esse processo: dicas, inspirações, materiais, ideias e tudo o que envolve esse universo que me acompanha há tanto tempo. Um espaço de criação, memória e cuidado, para quem também sente vontade de desacelerar e se expressar no papel.

Que 2026 seja sobre isso: presença, afeto e escolhas que façam sentido. Obrigada por estarem aqui, por lerem, por acompanharem e por fazerem parte desse espaço tão meu, e agora, tão nosso.

Até o próximo post!
Kisus